Cinema e educação #5 — Como levar um filme para a sala com o Pupilo Play

Quinto e último texto da série Cinema e Educação, da Pupilo. Depois de falar de por que levar cinema para a escola, da Lei 13.006, do cinema como arte e das oficinas, chegou a hora do guia prático: como montar uma sessão com o Pupilo Play.

O Pupilo Play é uma plataforma gratuita de cinema brasileiro para a educação. Tem mais de 300 filmes catalogados, cada um com sinopse, trailer e ficha técnica, e muitos com ficha pedagógica ligada à BNCC. Os filmes completos são liberados pelos próprios realizadores para uso em sala, e vão aumentando aos poucos. Vamos ao passo a passo.

1. Crie sua conta de educador

A conta é gratuita e leva poucos minutos. Dá para entrar com e-mail e senha ou com a conta Google. No cadastro, conte em quais anos e disciplinas você dá aula: é com isso que a sua “Minha área” passa a recomendar filmes que combinam com as suas turmas.

Os estudantes não precisam de conta. Quem tem conta é o professor; a turma assiste com você, em sala, no projetor ou na TV da escola.

2. Encontre o filme certo

A busca aceita título, tema, nome de quem dirigiu e até o código de uma habilidade da BNCC (por exemplo, EF15AR04). No catálogo, você pode filtrar por nível de ensino, ano escolar, tema, filmes com proposta de aula, filmes completos e recursos de acessibilidade, como legendas ou filmes sem diálogos.

Na página inicial, as fileiras ajudam a começar: “Pra assistir agora” (filmes completos), “Feito por crianças e jovens”, “Povos indígenas”, “Meio ambiente”, por etapa de ensino e outras.

3. Leia a ficha antes da aula

Cada filme tem uma página com sinopse, trailer, ficha técnica e informações para o professor. Quando há proposta de aula, você encontra as habilidades da BNCC com o texto oficial e sugestões de atividade, feitas pela nossa curadoria de educadores ou por outros professores.

Duas partes merecem atenção especial:

Classificação indicativa. Cada filme mostra o selo oficial de classificação indicativa. Vale lembrar o que ela é: o Guia Prático de Audiovisual do Ministério da Justiça explica que as obras são analisadas em três eixos, “sexo e nudez”, “drogas” e “violência”, e que a classificação não é censura nem juízo de qualidade (BRASIL, 2021, p. 9). Ela indica para que idade o conteúdo não é recomendado. Nos Termos de Uso do Pupilo Play, lembramos que cabe ao professor avaliar se o filme é adequado à sua turma, observando a classificação informada em cada filme.

Pontos de atenção para a sala. São notas da curadoria e de professores sobre cenas ou temas que pedem preparação ou conversa: um assunto sensível, uma cena que pode assustar os menores, um termo que precisa de contexto. Leia antes de exibir.

Assista antes. Nenhuma ficha substitui isso. A pesquisadora Monica Fantin, da UFSC, sugere que o professor se faça perguntas na hora de escolher um filme para crianças: ele apresenta cenas chocantes gratuitas, ou elas são necessárias à história? Que emoções provoca? Que desprazeres e conflitos oferece, como tristeza ou medo, e como os contextualiza? (FANTIN, 2015, p. 182-183).

4. Salve e monte sessões

Gostou de um filme? Clique em Salvar. Na sua área, os salvos podem ser organizados em pastas, que funcionam como sessões: você junta vários filmes, vê o tempo total e pode assisti-los em sequência. É um jeito simples de planejar as duas horas mensais de cinema brasileiro previstas na Lei 13.006: um mês, uma pasta.

5. Prepare a sala

Teste o som e a imagem antes, de preferência no mesmo equipamento da aula. Escureça a sala o quanto der. Abra o filme já logado na sua conta e deixe em tela cheia. Lembre que os filmes não podem ser baixados nem copiados: a exibição é feita direto da plataforma, com internet.

6. Antes, durante e depois

Antes: apresente o título, quem fez, de onde é e quando foi feito. Evite contar a história ou adiantar a “lição”.

Durante: deixe o filme acontecer. Se for um longa, combine antes se haverá pausa.

Depois: abra espaço para a turma. Fantin defende que, além de assistir, os estudantes tenham onde compartilhar impressões, discutir, criticar e depois escrever sobre o que viram (FANTIN, 2015, p. 180). Algumas perguntas que funcionam em qualquer idade: de que momento você lembra? O que te incomodou? Se você fosse a diretora, o que mudaria? A partir daí, a proposta de aula da ficha ajuda a aprofundar.

7. Devolva para a plataforma

Fez uma atividade que deu certo? Na página de cada filme, professores com conta podem sugerir habilidades da BNCC e uma proposta de aula. A sugestão passa pela curadoria e, aprovada, aparece na página do filme com o seu nome e o da sua escola. Você também pode sugerir pontos de atenção para a sala. É assim que o acervo fica cada vez mais útil para quem vem depois.

O que pode e o que não pode

Os filmes completos são liberados para uso educativo e sem fins lucrativos: assistir, exibir em aula, em atividades da escola e em ações culturais gratuitas ligadas ao ensino. Não é permitido baixar, gravar a tela, publicar o filme em outras plataformas, cobrar ingresso ou usar em ações comerciais. E, ao exibir, cite sempre o título e a direção. Os detalhes estão nos Termos de Uso.

Uma sugestão para começar

Que tal abrir o ano com filmes feitos por estudantes? No tema Feito por crianças e jovens estão, por exemplo, os curtas da oficina Terror na Creche, feitos por crianças de uma creche de Joaçaba (SC), e Elisa e A Cadeia, feitos por adolescentes de Campo Mourão (PR). Ver o filme de outra turma costuma despertar a pergunta mais bonita de todas: “e se a gente fizesse um?”. Para essa, a resposta está no texto #4.

Dúvidas, ideias ou problemas: escreva para play@pupilo.tv.br.

Nesta série

Referências

  • BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Secretaria Nacional de Justiça. Classificação indicativa: guia prático de audiovisual. 4. ed. Brasília, 2021.
  • BRASIL. Lei nº 13.006, de 26 de junho de 2014. Disponível em: planalto.gov.br.
  • FANTIN, Monica. Cinema e infância na escola: algumas questões sobre a escolha dos filmes para crianças. In: FRESQUET, Adriana (org.). Cinema e educação: a Lei 13.006 – reflexões, perspectivas e propostas. Ouro Preto: Universo Produção, 2015.
  • PUPILO PLAY. Termos de Uso. Versão de 21 de outubro de 2026. Disponível em: pupilo.tv.br/termos-de-uso.